23 de setembro de 2013

Futebol brasileiro dá aula de como afugentar os torcedores dos estádios

Agora entendo os motivos para a visível queda de frequência nos estádios brasileiros, durante as partidas de futebol. Ao tentar adquirir ingressos para o jogo Náutico X Flamengo, passei a enfrentar uma “Via Crucis”: 1) Dirigindo-me à sede do Náutico, fui informado que ali só poderia comprar ingressos para ficar junto aos torcedores do Náutico, pois só existem dois tipos de ingressos: Para torcedores do Náutico ou torcedores do Flamengo, o que, significa que o espectador que não torce por nenhum dos dois times, e quer simplesmente assistir ao espetáculo, é obrigado a escolher a torcida com a qual quer ficar “ misturado". 2) fui informado também que o único outro lugar onde os ingressos poderiam ser adquiridos seria no Shopping Center Recife, muito distante do local. 3) Chegando ao Shopping citado, fui encaminhado ao “Quiosque da Arena Pernambuco”, onde fui informado se comprasse ingresso para a torcida do Flamengo, teria de ficar no “Setor Norte (verde)”, atrás de um dos gols, e pagaria R$ 50,00, enquanto se optasse por comprar o ingresso reservado à torcida do Náutico, ficaria localizado na “Setor Leste (laranja), que fica na lateral do campo, e pagaria apenas R$ 25,00. 4) Note-se que existem dois setores do estádio nos quais os ingressos não estavam sendo disponibilizados, os Setores Sul, Amarelo, e Oeste, Azul, o que significa que existe uma óbvia intenção de concentrar a plateia em uma determinada área do estádio. Será que é para que as emissoras de televisão possam fazer imagens enganosas, passando aos telespectadores a falsa impressão de que o público presente ao estádio é maior do que o real?. 5) Para completar a esculhambação, a venda de ingressos é feita exclusivamente à dinheiro e nada de cartão. Os torcedores, além de roubados no momento da compra dos ingressos, são obrigados à assistir uma partida de futebol como se fosse um espetáculo, pois fica obrigado a optar por estar inserido em uma das duas torcidas. Será que agora alguém mais consegue entender os motivos das quedas das arrecadações? Júlio Ferreira. Recife/PE