O fato de estar desempregado faz com que o indivíduo sinta vergonha e culpa por não conseguir trabalho. Além de peregrinação pelas portas de fábricas e lojas, o indivíduo tem que enfrentar diante dos parentes e amigos o estigma do desemprego, sendo, muitas vezes, tachado de preguiçoso, incapaz etc. O desempregado é experimentado com uma punição por falta de competência ou de aptidão para o trabalho, repercutindo diretamente na auto-estima. Pessoas que sempre foram íntegras e honestas se vêem sem condições de pagar suas contas e saldar dívidas, tendo que conviver com a vergonha e humilhação da cobrança e dos cobradores. Em nossa sociedade machista, onde é esperado que o homem assuma o papel do provedor do lar, abre-se uma ferida na identidade masculina, fazendo brotar sentimentos de fracasso. O sofrimento psíquico do desempregado pode atingir patamares insuportáveis. No auge da angústia, há casos que o indivíduo assassina toda a família e, em seguida, se mata. Eduardo P. de Aquino. Psiquiatra.

Desde o Sarney o país não cresce, só voo de galinha e a inflação corrói a renda do trabalhador. Muita intervenção no Estado, muita legislação e regulamentação engessam a economia e muita proteção. O país é um dos mais fechado do planeta. A resultante é essa situação. Cerca de 50% da força do trabalho é informal, 70% das famílias estão endividadas e não existe luz no fim do túnel. O processo de desnacionalização e desindustrialização na nossa economia é assustador. Este comentário é do nosso leitor, Luiz Pires, da cidade de São Paulo.
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