Os principais impactos socioambientais provocados pela política nuclear do Brasil estão relacionados principalmente à extração e ao processamento para obtenção do urânio, e outros elementos químicos pesados de interesse comercial. A mineração produz grande quantidade de rejeito nuclear, termo técnico para designar lixo nuclear ou lixo atômico. As usinas nucleares também produzem grande quantidade de lixo. Sem dúvida, este é o grande problema. O que fazer com os rejeitos radioativos? Países que operam ou que operaram usinas nucleares não encontraram locais seguros e definitivos para armazenar os rejeitos produzidos após o uso do combustível nuclear. Atualmente o lixo produzido está armazenado em locais provisórios, pois o armazenamento permanente é uma questão não resolvida. Restando assim uma herança maldita para as gerações futuras. No Brasil, existem municípios/territórios onde os riscos a impactos relacionados à exposição à radiação são maiores que outros, pois abrigam atividades nucleares. Caso o material radioativo seja exposto ao meio ambiente (vazamento de água radioativa, de gases extremamente tóxicos, etc) afetará a saúde das populações próximas e os ecossistemas. Os conflitos, neste caso, estarão relacionados ao vazamento de materiais tóxicos e radioativos, à contaminação (água, ar e solo), ao aumento do câncer em populações diretamente atingidas, aos depósitos de rejeitos em locais inadequados e inseguros, além da necessária remoção forçada das pessoas de suas habitações. É inconcebível que em um país democrático, cujo atual presidente afirma a importância da participação popular nas grandes decisões, nos destinos do país, somente um pequeno (mas poderoso) grupo de lobistas, os “nucleopatas”, imponham a nação uma tecnologia cara, suja e perigosa. Heitor Scalambrini Costa é físico pela Unicamp

Há que se atentar a influência no longo prazo, tempo humanitário da evolução. Nesse sentido, será que a interrupção brusca hoje da exploração de usinas nucleares não provocará grande prejuízo científico-tecnológico no longo prazo, milhares ou milhões de anos? Este comentário é do senhor César Cantu. Cidade de São Paulo.
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