7 de junho de 2012
Greve dos Professores
Lendo
uma postagem de uma colega a respeito da indiferença da sociedade
frente à Greve dos Professores do Estado da Bahia, fiquei incomodado com
essa apatia da população, do Ministério Público, das Igrejas, da CNBB,
dos Artistas Baianos, da Mídia, ao mesmo tempo preocupado com os
desígnios da educação neste estado. Não
faz muito tempo que a sociedade baiana viveu momentos de apreensão e
insegurança com a greve dos PMs. É fato que todos nos desejávamos que
essa manifestação tivesse logo um desfecho tranquilo e que esses
profissionais retornassem aos seus postos com as suas reinvindicacões
atendidas. Todavia, fora preciso que o trânsito parasse, que lojas e
supermercados fossem saqueados, que a força de segurança nacional fosse
acionada; que o número de homicidio aumentasse e que ameaçasse o
Carnaval dos empresários, dos blocos, da rede de hotelaria, dos
turistas,
da Rede Globo, da Band, do Chiclete, da Ivete... E
a greve dos professores ameaça a quem mesmo? À Lei de Responsabilidade
Fiscal? Às Eleições Municipais ou ao Ano Letivo dos alunos? Parece-me
que este último não tem grande força em comparação ao carnaval, haja
vista à posição arbitrária e atroz desse governo ao cortar direitos e
salários de um classe tão massacrada, mas fundamental para o progresso
de uma Nação. Quem
realmente está se importando com a educação neste estado? Aonde estão
os movimentos estudantis, os pais dos alunos, as Igrejas, a oposição, as
forças sindicais, os magistrados e promotores, a mídia, as redes
socias(os "facebookeiros"), que não abraçam essa causa? Será que essa
nossa luta não é justa? É insano um aumento de 22,22% comparado aos
61,8% que os próprios deputados se presentearam na véspera do Natal
(23/12/2010). Esse aumento estava no orçamento do ano subseqüente(2011)? À
propósito, quanto custa um deputado estadual somando-se salário + verba
indenizatória + verba de gabinete? Cada deputado estadual baiano
custa aos cofres públicos cerca de R$ 114 mil por mês (existe carga
horária? há assiduidade? comparecem às sessões regularmente?) e todos
juntos significam mais de R$ 87 milhões ao ano. O valor do orçamento da
Assembleia Legislativa previsto para 2012 é de R$ 351 milhões. O
que significa esse valor frente a um salário de um professor Licenciado
de 40 horas, padrão P e grau I, que recebe seus " milagrosos" R$
1.659,94? (tabela Maio/2012). Além
do mais, quanto é repassado do Fundeb e gasto com o a folha de
pagamento de professores? Quanto custam as propagandas do governo em
horário nobre de televisão e nos mais diversos meios de comunicação? Por
quê não se tornam públicas as informações sobre a execução orçamentária
e financeiras da Assembleia Legislativa? Por que essa blindagem toda
com as contas públicas? Por quê as contas da Assembleia Legislativa da
Bahia (AL) não são julgadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) há
mais de cinco anos? Por quê...? Se
com a greve dos policiais não houve urgência em resolvê- la mesmo com
os holofotes da mídia e repercussão em todo o mundo, cobrando uma ação
eficaz do governo, que atitude se esperar desse governo em face à greve
de professores de escola pública? ( invibializar o ano letivo?
Pressionar os professores não pagando os salários...?). A sociedade
cobrou uma solução urgente para a greve dos PMs por achar que eles
merecessem um salário digno ou por que as suas vidas e o seus
patrimônios estavam correndo riscos? E
os nossos alunos que riscos causam à sociedade? Que prejuizo causam aos
cofres públicos? O que significa o aluno na sala de aula para o governo
senão números e cifras? À propósito, como anda o IDEB da Bahia? Ora,
colegas, se a nossa greve não repercute, de imediato, na economia, na
segurança,na bolsa de valores..., infalivelmente trará sérias
consequências, no futuro, para toda a sociedade. Crianças e jovens sem
aula hoje é caminho para drogas amanhã, para a violência, para o
fracasso profissional...
Educação
sem qualidade, sem ambiente adequado, sem valorização e respeito para
com o Professor, isso sim é um dos maiores crimes que se pode cometer,
pois não só se perdem vidas, mas sobretudo perde-se o direito de
aprender e crescer como um verdadeiro cidadão. Foto: web. Evandro de
Oliveira. Salvador/BA.
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