8 de fevereiro de 2014

Copa do mundo de futebol x transporte público

Qualquer cidadão consciente, ao tomar conhecimento, em 2007, da decisão divulgada pela Fifa, de comum acordo com as falanges petistas de poder da época, de sediar no Brasil a Copa do Mundo de 2014, deve ter ficado apreensivo quanto à capacidade do País de organizar o torneio, tanto sob o ponto de vista financeiro como sob o organizacional. Uma certa tranquilidade foi transmitida na ocasião, quando o então presidente da Confederação Brasileira de Futebol, sr. Ricardo Teixeira, afirmou que a grande maioria dos recursos destinados a cumprir as obrigações do caderno de encargos imposto pela entidade máxima do futebol viria da iniciativa privada. Sete anos depois e às vésperas do evento, qual é o retrospecto? Praticamente a totalidade dos custos, superfaturados, acabou sendo bancada pelo setor público, o mesmo que se mostra incapaz de prestar serviços básicos de qualidade aceitável à população, como saúde, segurança e educação. Além disso, o legado prometido, relacionado com a infraestrutura e a mobilidade urbana, está atrasado e será insuficiente, mesmo após o evento, o que indica que o transporte nas grandes metrópoles continuará desumano com se ver nesta foto tirada no Recife. Paulo Roberto Gotaço. Rio e Janeiro/RJ